Cidades

 

 

Adoro cidades. adoro descobrir a personalidade de cada uma! cada cidade tem uma personalidade e é por isso que é tão interessante. a personalidade descobre-se logo ao primeiro contato mas é aparente. e é também influenciada pela ideia que todo o mundo tem e é principalmente influenciada pelo turismo, pela imagem que fazem passar. o primeiro contato que temos é muito revelador mas é ao longo do tempo que a cidade nos vai dando um pouquinho mais, se vai mostrando. é ao longo do tempo que a nossa ideia da cidade se vai consolidando não só porque ela nos deu a nós, mas porque nos demos a ela também. ocorre uma fusão e ela vai-se revelando aos nossos olhos e vai-se tornando cada vez mais familiar e especial para mim. o que os meus olhos vêem, os teus não vêem. e é isso. e então a cidade permite isso, essa personalização criada por nós, porque há tanta coisa a acontecer, há tanta variedade, há tantos espaços diferentes. permite experiências tão diferentes e por isso deixa que cada um crie a sua relação. e eu vou traçando assim o meu caminho, as minhas ruas, espaços, lugares preferidos, as minhas perspetivas, a minha parte do dia preferida naquela cidade. e vou criando a minha história ao mesmo tempo que crio a personalidade daquela cidade, que na verdade é o bocadinho de mim que fui deixando… ao insistir em estar nela, ao insistir vivê-la.

 

Cada cidade revela um pouco de mim. e é por isso que quando viajo, a minha cena preferida não é ir visitar museus, nem monumentos, nem outras tantas coisas que se destacam e que eu já conheço só de ver tantas vezes em imagens que andam por aí. sempre as mesmas, sempre as mesmas. já as vi milhões de vezes e já conheço. chego ao local e… hmm é só isto? tá bem… é tirar uma foto e ir embora. a minha cena preferida é viver aquela cidade à minha maneira e é observá-la em todas as direções e descobrir coisas diferentes. é perceber como são as pessoas, como se vestem, como andam, o que fazem da vida, qual o seu ritmo. é entrar em pequenas lojas, pequenos cafés, mercados de flores, de coisas velhas, de comida, de arte, entrar num teatro e ver algum espetáculo, entrar num bar ou restaurante e tentar olhar para dentro da casa das pessoas 😀 como é a casa destas pessoas? (é uma curiosidade tão grande…)

 

E é assim que a personalidade da cidade se revela pouco a pouco. quando eu começo a descobrir e a alargar a minha visão e a criar uma relação única com ela. é que assim, aqueles monumentos e pontes e jardins e espaços e igrejas que se mostram sempre iguais nas imagens de outros desconhecidos e do turismo começam a ganhar vida e olhamos para eles de forma diferente, quase como se fosse a primeira vez. começamos a descobrir neles o que há de tão especial e porque merecem ser tantas vezes fotografados. tornam-se grandes como eles são. já não são só uma imagem isolada. agora são parte de um todo e da minha visão. tenho um sentimento em relação a eles e isso desperta-os… e a mim!

 

E tudo muda. tudo ganha vida quando descobrimos a personalidade da cidade e nos deixamos tocar por ela! 🙂

 

 

 

 

Ser previsível

quando se é previsível as coisas tornam-se mais claras.

as coisas andam mais facilmente.

e o que significa ser mais previsível?

é responder aos pedidos. é não ignorá-los e fingir que não percebo. é sobretudo responder às pessoas quando elas estão à espera de resposta. da resposta.

é dizer ‘gosto de ti’, quando toda a gente já percebeu que gosto, mas mesmo assim continuo a tentar esconder.

é dizer o que as pessoas estão à espera que eu diga, sempre que eu sinta que é uma verdade mas tenho vergonha ou medo de a dizer.

é ir à procura de alguém quando alguém está à minha espera, mesmo não me tendo dito.

é ser mais claro e mostrar os meus sentimentos. admiti-los quando eles são óbvios mas ainda não se materializaram de uma forma mais evidente. quando são apenas potencial, mas que têm de se mostrar porque é o que tem de ser, é o que será mais fácil, é o previsível.

ser previsível é facilitar. mas facilitar não significa que seja mais fácil para mim. às vezes ignorar o óbvio é mais fácil, mas dificulta uma certa fluidez natural que se quer impor e não consegue por causa desta rigidez e resistência ao que tem de se mostrar.

ser previsível é estar atento. é estar atento porque é responder àquilo que se passa à minha volta, por mais discreto que seja o pedido. e este pedido sente-se.

os outros gostam que eu seja previsível. e eu adoro que tu sejas 🙂

Meu amor

às vezes passa-se isto:

pensando em ti…

como é possível eu arranjar uma necessidade que na verdade não tenho. criar a necessidade de te ter porque isso não é perigoso, porque na verdade não estás livre e na verdade não te posso ter. será isso? será que eu gosto mesmo de ti? ou será que criei a ilusão de gostar de ti? porque podia e não corria riscos… não corria o risco de te ter realmente? e se viesses até mim…: eu gosto de ti. agora estou livre. queres namorar comigo? o que é que eu fazia? eu dizia. namorar não, mas quero ter-te como meu amor 🙂

um amor para sorrir à vontade, para ser verdadeira e dizer o que me apetece do género, gosto de ti, és lindo, hoje quero-te mesmo muito, para te abraçar e piscar o olho, poder falar e conversar fundo, poder tocar e sentir-te, poder olhar. ter-te como meu amor é ter permissão para isso tudo. é essa a única diferença entre seres uma pessoa como as outras e ter-te como meu amor. é só ter permissão para ir um bocadinho mais longe e ser quem sou, contigo. e ser quem sou significa ir um pouco mais longe e fazer-te ver que gosto de ti. à vontade! as outras pessoas não precisam de ser meus amores porque ser quem sou com elas não significa ir mais longe. porque não quero. não tenho vontade. contigo tenho.

e a diferença entre seres meu amor e seres meu namorado é que sendo meu amor faço o que tenho vontade e não sou obrigada a nada. não sou obrigada a ir contigo para todo o lado, não sou obrigada a dar-te a mão, a despedir-me com um beijo, a falar contigo todos os dias, a dizer-te coisas da minha vida, a contar-te a minha vida, a apresentar-te como meu namorado, a amarrar-me a ti, a não olhar para outras pessoas, a não ter outros como meus amores também. e mais que tudo isto!: é não obrigar-te, a ti, a fazeres tudo isto. pior do que ser obrigada a ir contigo para todos os lados, é obrigar-te a ires comigo para todos os lados, pior do que ser obrigada a contar-te a minha vida é obrigar-te a contares-me a tua, pior do que ser obrigada a apresentar-te como meu namorado é obrigar-te a apresentares-me como tua namorada, pior do que cumprimentar-te e despedir-me sempre com um beijo é obrigar-te a fazeres isso e pior do que amarrar-me a ti é obrigar-te a amarras-te a mim e é obrigar-te a não teres outros como teus amores! por isso não quero ser tua namorada.

então isto não é criar uma necessidade que não existe em mim. eu gosto de ti. e por isso, eu quero, na verdade quero, agora que estás livre e não apenas quando não podias. não é criar uma necessidade porque não é querer o fruto proibido. agora que estás livre, mesmo assim quero. e se me vieres perguntar se eu te quero eu vou dizer que sim! mas como meu amor e poder ser contigo o que sou realmente e poder ir mais longe sem correr nenhum risco 🙂 e está. e se pouco a pouco tiver vontade de fazer tudo aquilo que no início seria obrigada a fazer se fosse tua namorada… então faço… e não corro risco, só nessa altura, não correrei o risco… porque é por opção. e não vai dar a sensação de ser demasiado. demasiada entrega. ou, na verdade… entrega falsa.

mas mesmo assim, por favor!, não me trates por tua que eu também não te trato por meu. meu amor pode ser, minha namorada não! porque amores há muitos e namoradas há só uma. porque amor é algo e namorada é alguém. posso dar-te amor, mas não me posso dar-te a mim.

 

e assim fica tudo resolvido.

 

(e os o’s são substituídos por a’s e os a’s substituídos por o’s, onde o masculino se puder transformar em feminino e vice-versa. e serve a todos)

Make it mine

vendo o videoclip de jason mraz, ‘make it mine’…

ele está a passear em amesterdão e parece que se está a divertir, muito! parecem umas férias interessantes, aquele tipo de férias que todos queremos ter, com um ambiente quente, divertido e cheio de vida!

mas depois quando chegamos lá, ao nosso lindo destino e chega o momento, o nosso momento… muitas vezes parece tão morninho, igual a tantos outros, parece que nem saímos do mesmo sítio. o mesmo de sempre, tudo igual. pouco ou nada muda em nós e chegamos a casa com a sensação que faltou alguma coisa. mas porquê?

porque não temos uma banda sonora. nem vemos através das lentes de uma câmara que fazem a imagem mais interessante, mais quente, mais viva.

se tirarmos isto tudo ao video… o sr jason vai parecer um de nós a passar umas férias normais (ou quase…).

então, quando estamos de férias, é bom colori-las, fazer um esforço para as colorir. temos de colorir o nosso tempo.

é preciso entrar num espírito diferente. às vezes só o facto de estar numa cidade diferente, fora do nosso espacinho habitual, já ajuda. a novidade, mesmo ali à nossa frente, ajuda. mas outras vezes não é suficiente, então temos de ir buscar uma certa energia dentro de nós. e às vezes temos é de limpar o nosso espírito das visões do ‘mesmo de sempre’ e abrir os nossos olhos, abrir bem, muito bem, para deixar entrar o novo e libertar a nuvenzinha que paira à nossa volta. às vezes esta renovação é automática, outras é preciso uma ajuda…

é bom tornar as nossas férias mais vivas com uma música, uma pose diferente para a foto, um ângulo e uma luz diferentes. entrar na vida da cidade e participar nela, não só passar por ela 🙂 ter um olhar mais atento. demorar nos sítios. criar um momento, sem pressa. entrar, em vez de ver apenas de fora.

conhecer e passear ao som de uma ‘banda sonora’ à nossa escolha 🙂 e fazer desta viagem a nossa viagem.