Viver em espiral

pensar em espiral, viver em espiral. é uma forma de viver tranquila e muito eficaz. o que significa?

tomando um exemplo: como adquirir um hábito ou como conseguir realizar algo que se tem em mente? algo que seja um pouco complexo e que seja preciso tempo para se realizar? sem aquela pressão e disciplina que nos bloqueia? é fácil. é só fazer uma espiral.

começa-se por pequenos passos. mas faz-se alguma coisinha. tem de se fazer. há uma determinação muito grande que se sente de vez em quando. é impossível ter essa determinação, essa força, constantemente, pelo menos para a maioria, então aceitamos isso. aceitamos que a força, determinação e coragem têm ciclos. a ação faz-se nesses picos altos. depois não nos apetece mais, estamos cansados, queremos fazer outra coisa, experimentar outra coisa, ficámos saturados e pensamos ‘por que raio me interessei por isto, porque é que me apeteceu fazer isto? neste momento não me apetece mais, não tenho qualquer interesse’ então, sem forçar, deixamos que a nossa vontade vença e abandonamos e esquecemos. mas não totalmente. tenho em mente que quero avançar, que quero evoluir. continuo com a minha ideia em mente, ainda que pareça uma ideia longínqua e impossível. mas, não levando a decisão muito seriamente, abandono, sem tristezas, sem culpa. de facto abandonei o que estava a fazer porque estou frustrada. nada do que sai, sai como quero, nada do que faço tem a ver com a imagem que tenho em mente. na verdade apenas gosto como tenho em mente. não gosto como o faço, como o vejo quando se torna realidade. e agora? se me perguntam: então mas afinal gostas ou não… agora que se tornou realidade, não gosto! então não sabes o que queres! sei sim! quero como eu imagino. são coisas completamente diferentes… nunca pensei que fossem. então, se não gosto, se não me agrada, quero abandonar. mas só sai mal porque ainda está imperfeito. não dou oportunidade à imperfeição então penso que aquilo é o produto final, mas não é. ainda não é. se não tiver noção disso, da imperfeição inicial, então vem a frustração e abandono completamente a minha ideia, o meu desejo. mas não! não pode ser assim. se for feito em espiral não tem de ser assim. se for feito em espiral eu tenho noção de que o que foi feito agora não é o que imaginava porque apenas é um começo. então aceito isso. fiz o que sabia no início e agora que já não tenho aquela relação emocional com a ideia, deixo-a porque já não gosto dela, já não a consigo espremer mais. MAS! sempre com aquela sensação que voltarei mais tarde. que não a abandono por completo. porque desde que eu tenho algo em mente, ainda é possível fazer mais. mas só que agora não. e não é preciso que seja agora. tenho paciência e sei esperar. é preciso tempo. a minha imagem está sempre lá. posso não fazer nada, neste momento, em relação a ela, mas a minha imagem está sempre lá.
então um dia a vontade chega novamente e desta vez venho mais inspirada, desta vez faço as coisas um pouco diferentes. voltei. não desisti. e subo um pouco mais. desta vez estou mais concentrada e consigo, de forma mais constante, fazer uma ligação entre a minha ideia e o que faço. tenho momentos em que me concentro nela e que me obrigo a fazer de acordo com o seu estilo, a sua cor, a sua personalidade. é preciso concentração para que isso aconteça. é preciso uma conexão com o mundo e comigo mesma em simultâneo. então pouco a pouco a minha ideia começa a revelar-se. mas ainda não é desta. ainda preciso de a abandonar muitas mais vezes. e faço isso exatamente, mesmo que abandonar não queira dizer, deixar de fazer. abandonar significa deixar de ter essa conexão constante com o interior e o exterior. abandonar significa também estar a fazer o mesmo durante muito tempo, ser muito produtiva mas completamente mecânica. e ter noção disso, sem querer tirar à força bons resultados. abandono e volto a abandonar. mas volto sempre, não desisto, porque agora os resultados são cada vez mais interessantes, mais satisfatórios. a ideia ganha vida e quase que vive por si só. mas ainda precisa de algum esforço da minha parte. ainda a tenho que a segurar.
até que um dia. tcharaaam. será? quando será esse dia? como será esse momento? teremos noção dele? penso que não. até porque queremos sempre mais e há sempre espaço para mais e mais… e mais. a perfeição está sempre lá em cima. mas acredito que chegamos a um momento em que estaremos minimamente confortáveis, minimamente satisfeitos. como saber? não é assim tão óbvio. penso que só se tem bem noção quando se olha para trás e se vêem os resultados bem longe, quando tudo já passou. ou então, em muitos casos (ou em todos?) este tempo, em que estamos satisfeitos, sente-se através de uma emoção. temos uma emoção muito positiva. quando dizemos, eu gosto disto. gosto deste ambiente, gosto da personalidade desta criação.

e assim é a espiral. abandonar e voltar, constantemente. o que é que é preciso? paciência, aceitação (dos primeiros resultados imperfeitos e tão pouco atraentes, tão odiados), atenção (quando é tempo de voltar e abandonar?), leveza, fluidez (viver através de ciclos, não forçar).

destaco um requisito: a atenção. é preciso estar atento aos nossos sentimentos. a nossa emoção é que nos guia. é através dela que sabemos quando voltar e quando abandonar. a emoção é uma onda e não faz mal irmos atrás, desde que seja aceite, desde que não haja culpa, frustração ou julgamento. é normal não estar sempre lá em cima e os pontos baixos não são realmente baixos. são precisos para haver renovação, para haver um verdadeiro entendimento, amadurecimento. só com o afastamento se consegue isto. a emoção não é um ponto de referência para qualquer pessoa. alguns simplesmente não a sentem. mas para quem a consegue sentir, é preciosa. isto é um processo. senti-la, aceitá-la e saber o que significa. vivê-la com consciência.

às vezes é apenas uma pressão muito grande (não será uma pressão emocional) para fazer alguma coisa. essa pressão é boa uma vez que se abandonarmos algo durante muito tempo a nossa memória em relação a isso enfraquece e a qualidade e brilho dos resultados também se esvanece porque o refinamento é uma questão de memória. mas às vezes esta pressão estraga tudo porque obrigamo-nos a fazer algo que não é suposto fazer naquele momento só porque não estamos confortáveis em não fazer nada. mas é impossível saber, antes de partir para a ação, se os resultados serão positivos ou negativos se respondermos a esta pressão. na verdade nunca serão negativos desde que o admitamos. serão neutros. ou não… nunca se sabe. esta pressão está sempre lá e a sua natureza nunca é bem clara.

há pessoas também que têm uma força de vontade inabalável. não precisam de fazer espiral. ou então a espiral deles é menos ampla, menos espaçada.

isto são só ideias. ideias para nos identificarmos se for o caso. se não houver acordo não interessa, porque os caminhos são muitos.

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2 thoughts on “Viver em espiral

  1. Eu identifico-me e fizeste-me também ver coisas em que nunca tinha pensado!! Espero que não te importes que eu seja uma leitora muito assídua e interessada!!

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