Viagem à Tanzânia

Gosto de ler textos de viagens para tentar perceber qual a escrita que mais me agrada. gosto de analisar isso. também gosto muito de saber sobre o mundo, claro, mas gosto muito de analisar a escrita e pensar o que me agrada ou não. quais os tipos de escrita que me cativam mais e depois ir à procura de quem escreveu o texto. é assim que se conhecem pessoas. e depois vamos à página de facebook deles e escrevemos uma mensagem e dizemos que gostamos muito do trabalho deles e da forma como escrevem e que são diferentes dos outros e até propomos fazer-lhes uma entrevista porque gostávamos de saber um pouco mais da sua vida, personalidade, gostos e como lidam com a sua profissão ou como decidiram ser o que são. e perguntamos se podemos postar a entrevista no nosso blog. e ele, o autor escolhido por mim, diz que sim e há uma felicidade tão grande que não consigo dizer nada nos próximos dias. só me vêm à cabeça pormenores das últimas palavras que partilhei com quem admiro tanto. e já sei tudo de cor. virgulas e pontos finais e até começo a melhorar o que já foi feito e não é mais possível melhorar. podia ter dito aquilo de outra forma ou então podia ter dito esta piadinha… iiiiii era mesmo fixe ter dito esta piadinha. ele ia-se rir. e depois a resposta dele: disse que sim, tudo bem. sim, tudo bem… o que é que significa realmente? significa que gostou da ideia. e o sim, tudo bem… como está escrito? porque é que escreveu assim? com que cara devia estar quando escreveu isto? eu acho que ele gostou de mim e acho que vamos ser amigos para sempre. e estes pensamentos consomem-me nos próximos dias e nem consigo dormir bem de tanta excitação. e depois lá digo alguma coisa para confirmar que realmente esta entrevista vai acontecer e envio-lhe as minhas perguntas. estou demasiado entusiasmada e agora posso fazer tudo. a sorte está do meu lado, só pode. o que me poderá ser negado? nada! posso fazer as perguntas que quiser… e… estrago tudo. sai merda. faço a pergunta errada, vou demasiado longe e ele recusa-se a responder. vai ficar a pensar mal de mim. os meus podres são descobertos por quem mais admiro. não fiz as coisas bem. não disse a coisa certa e estraguei tudo!

óooh não é nada. não estraguei nada…. isto nunca me aconteceu porque nunca tive coragem de pedir uma coisa destas a alguém. mas já me passou pela cabeça. e gostava de imaginar que no final corre tudo bem. mas seria bom demais. então tento ser mais realista. 🙂

de qualquer forma, ainda não encontrei nenhuma escrita de viagens que me cativasse mesmo! o que falta? emoção. ser um texto um pouco mais personalizado. em vez de ser apenas descrição e nomes esquisitos de sítios por onde passam. e depois fomos ali e depois ali e passámos ali e este edifício foi construído por fulano no século tal e tal e esta montanha tem não sei quantos metros. heeeeii! isso não me interessa. não me interessa um texto tão cheio de forma e quase sem conteúdo. gostava que um texto deste género tivesse mais emoção, sentido de humor, cores e cheiros. não tem de ser um livro demasiado sentimental. já fiz essa tentativa de ler livros de viagens. pelo menos pensava eu que teria um pouco mais da experiência do autor, da sua relação com a viagem por ser um livro e não uma revista. mas depois… ai que tédio tão grande. tão demasiado sentimental por vezes. ainda não encontrei, ainda não encontrei… o ideal seria em formato de crónicas talvez. eu sei, eu sei que quando se vai a algum sítio o objetivo principal é tentar mostrar aos leitores TUDO o que aquele lugar tem para oferecer. e não se podem dar ao luxo de perder nada. e claro que um público de uma revista de viagens quer é saber dos factos mais práticos e o que há para ver e como ir e como fazer isto ou aquilo… ele quer objetividade na informação de um país que está a pensar visitar… mas quer dizer… não vamos saturar e desgastar os lugares. vamos deixar alguma coisa por descobrir. e pode-se muito bem falar de viagens sem ter em mente um público que está interessado em viajar, realmente, fisicamente, mas mentalmente ou com o coração. e porque não misturar ficção com realidade? era assim um livro ou uma revista que eu gostava de ler. escrito por quem realmente foi lá, quem realmente visitou e cheirou o país, mas que conta a sua experiência de uma forma mais pessoal e que nos fala de todos os imprevistos e todas as surpresas. de pessoas e de paisagens. de comida, de espaços e momentos. e que fotografe uma leoa e um leão num ato sexual, sujo e divino com a legenda ‘jorro de energia’ em vez de paisagens preguiçosas da savana com um fundo amarelo do pôr do sol, uma acácia e uma girafa.

e que nos conte uma história (passada num lugar diferente deste onde estou)

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