O meu lugar

Era tudo tão mais fácil se fôssemos como um ovinho que encaixa perfeitamente na sua caixa de meia dúzia.

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Equilíbrio (hipotético)

O equilíbrio não resulta da soma de extremos.

A neutralidade não resulta da soma de opostos.

O equilíbrio tem uma natureza diferente.

 

Não me vou sentir amarrada, não me vou sentir demasiado livre. Porque em tudo o que faço tenho a loucura e a santidade comigo, ao mesmo tempo. Em simultâneo. É o nascer de uma nova natureza.

 

 

(isto se eu tivesse equilíbrio… constante, vá)

O momento

Estar no momento é colar o espaço ao tempo. quando estamos no aqui e no agora o espaço e o tempo tornam-se um só. Quando estamos distraídos da vida dá a sensação que o espaço e o tempo estão desfasados. quando estão em fase, o tempo anda segundo a nossa ação. é a nossa ação que faz o tempo andar. a nossa atenção ao espaço, ao que está a acontecer à nossa volta. há tempo para tudo. o tempo anda segundo a nossa ação. e se não houver saltos na nossa ação, se não houver distrações, também não há saltos no tempo. eles estão colados.

Cedrus Atlantica

Tenho uma nova aquisição: um óleo essencial de Cedro.

Estou muito feliz porque precisava de cheirar alguma coisa. alguma coisa que me fizesse lembrar a natureza e que cheirasse a madeira de preferência.

agora cheiro a madeira. e é sempre bom poder pôr um oleozinho na pele para hidratar e mais que isso: este óleo tem um efeito terapêutico. a madeira de cedro acalma os nervos, aterra-nos, desperta o nosso coração e facilita uma comunhão verdadeira com os outros. se nos sentimos demasiado inquietos e demasiado críticos em relação a nós e aos outros, então o óleo de cedro é o ideal. é uma cura do coração e ao mesmo tempo deixa-nos estáveis e seguros, liberta a ansiedade.

não digo que tenha sentido estes efeitos logo da única vez que o pus em mim, mas só de o cheirar já fico tão feliz. cheira a cedro por aqui….

apetece-me banhar-me totalmente no cheiro. fazia tudo para te abraçar, querido Cedro 🙂 seria mesmo bom poder abraçar-te e cheirar-te ao mesmo tempo. sentir a tua estabilidade, a tua dureza e beleza. és perfeito. quero ser como tu. onde vives e como? vives na paz dos bosques? em que parte do mundo? conta-me a tua história, leva-me até à tua paz.

Eu sou o cedro, cedrus atlantica, mais conhecido como Cedro do Atlas porque vivo nas florestas da cordilheira do Atlas, no norte de África, que se estendem por Marrocos e Argélia. sou uma conífera e gosto de viver lá bem no alto. por volta dos 2000 metros. sou alto, belo, forte e bem enraizado, farfalhudo, com folhas verde azuladas e tenho, claro, pinhas. a minha madeira é muito usada e é a partir dela que se faz o teu óleo essencial.
sou estável, transmito serenidade e segurança. quantas casas já visitaste a cheirar a mim? casas únicas, bem acolhedoras, que te convidam a ficar e deixam memórias bem profundas porque o meu cheiro se infiltra na memória de cada um. o meu cheiro está ligado à floresta, à minha origem, e as pessoas sentem essa ligação.
cheira-me e lembra-te da paz da floresta, do espaço imenso à volta, do ar limpo e puro da alta atmosfera, do cenário cristalino das montanhas com neve. do céu azul claro de dia e cheio de estrelas no céu negro à noite, da vida que há em mim e que aguenta este ambiente lindo mas quase estéril. mesmo assim eu vivo aqui e sou forte, totalmente adaptado, é o meu espaço. lembra-te da vida que há em mim, do verde forte azulado e escuro das minhas folhas, do vento que me abana, da neve que me cobre. do bom tempo que me tranquiliza e do mau tempo e tempestades que me renovam. deixa tudo isto entrar em ti e tonificar e despertar o teu sistema nervoso. viaja até à cordilheira do Atlas, bem lá em cima, e olha cá para baixo, para o contraste. olha para as cores quentes e para o sol tórrido que se sente lá em baixo e vive, feliz, cá em cima.

abre os sentidos. cheira, vê, sente.

 

Obrigada Cedro! 😀

Frutos de Outono

ai lindos frutos de outono, como gosto tanto de vocês! têm cores e sabores quentes que confortam. gosto de pensar em vocês. abóboras de todos os géneros, nozes, figos secos, diospiros, castanhas e mais que mais? ai que coisas tão boas. quentinhas, que fazem lembrar a lareira, a chuva lá fora, o fumo do fogo, o vapor das bebidas quentes, a calma, a casa, a terra molhada, as árvores despidas, o céu cinzento. a cidade lavada e as estradas escuras molhadas, o ar cristalino e puro depois de uma chuvada. o clarão de luz que espreita por uma nuvem cinzenta no céu de um final de tarde de outono. as pequenas coisas importam tanto.

abóboras adoro-vos! vocês são uma família. uma família tão carismática. cada uma é diferente, com as suas próprias curvas. o vosso cor de laranja é mecânico. vocês são outonais mas também são rock stars. têm criatividade e surpreendem sempre. vocês têm curvas maternais, têm superpoderes transformadores. às vezes elegantes (mas poucas), atrevidas, feias mas com caráter, gordas mas com vontade e afirmadas porque vocês sabem, vocês sabem o que valem. esse miolo laranjinha cheio de vida que se transforma nas mais deliciosas, suaves e quentes papas de abóbora. sozinhas já são boas mas têm a humildade de se deixarem polvilhar por uns pozinhos de canela e então aí… ai! não, não vos podemos gozar. vocês sabem o que fazem, vocês sabem porque são assim. podem ser compridas e magrinhas, grandes, pequenas, mais arredondadas na base com uma cabecinha pequenina, com saliências, redondas e gorduchas, pouco delicadas e desproporcionais… mas vocês são um exército que ninguém pára, vocês são as rainhas do outono!

e ainda se transformam em criaturas assustadoras, (não, vocês não são inofensivas!). com olhos triangulares e dentes afiados, a luz surge de dentro e ganham vida. podem ser vistas no escuro e espantam os espíritos noturnos!

 

this fall i want to be next to a pumpkin 🙂

pumpkin pumpkin! what a fun!