A little insight

If a person realizes that a whole chain reaction of incidents brought him into the present situation, that solves a lot of problems. It means that you have already made a commitment to whatever you are doing and the only way to behave is to go ahead, rather than hesitating constantly in order to make further choices. It is like knowing that a certain restaurant serves a particular dish that you have in mind to eat. Rather than wasting a lot of time reading the menu after you have sat down in the restaurant, go ahead and order that dish and eat it. In a sense it is a timesaving device to know that the incidents that happen in the round of life are constantly creating a particular unique situation. This is a very powerful insight which brings us a sense of freedom. It is knowing that at one and the same time you are not committed to the present situation and you are committed to it. But what we do with the present situation as it relates to the future is completely up to us. It is an open situation.

Chogyam Trungpa

 

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Uma viagem

era de noite e íamos fazer uma visita guiada a um bairro de luxo, num carro de luxo, onde o violeta, o dourado, o negro, a luz e o brilho imperavam. tudo aconteceu numa viagem à finlândia onde de dia o verde escuro das árvores e o ar fresco e limpo quase nos afogavam. mas à noite era diferente.

O mundo de Lizzie Shepherd

Olá!

Aqui está uma pequena entrevista com uma fotógrafa profissional que descobri há pouco tempo mas me apaixonei imediatamente pelo trabalho dela. Quando gosto do trabalho de alguém penso logo que por trás está uma pessoa especial e é por isso que gosto de entrevistas que permitam conhecer um pouquinho mais desta gente por trás da arte. Esta entrevista é realmente pequena mas faz duas perguntas que sempre me interessam, pelo menos mais nesta área da fotografia: ‘o que te inspira’ e ‘o que dirias a alguém aspirante a fotógrafo’. Acho que estas duas perguntas interessam e são úteis a quem as lê, mas são sobretudo mais reveladoras de quem as responde do que qualquer outro tipo de pergunta, como por exemplo ‘que técnica usas’, ou ‘o que diz esta imagem, onde foi tirada’.

 

http://www.digitalab.co.uk/blog/2014/02/18/digitalab-featured-photographer-lizzie-shepherd/

 

aqui está o site dela: http://www.lizzieshepherd.com/

 

🙂

Comportamento inesperado

guiava o carro de uma forma totalmente maluca. não era maluca por opção mas por descontrolo. estava muito envergonhada porque atrás de mim vinha outro carro a perceber a asneira que eu ia a fazer. ia completamente descontrolada e subia os passeios e tudo. depois, quando parei em frente à mercearia, o homem que vinha a conduzir o carro atrás de mim disse-me que aquilo era de loucos, que conduzia mesmo muito mal e que era absolutamente maluca, enquanto revirava o dedo junto da testa e se afastava de mim. e eu pensei, tenho de disfarçar. eu vou dizer que é de propósito. não sei se consegui dizer alguma coisa, mas fiz questão de ser bem claro para mim: eu fiz de propósito. então parei o carro à frente daquela loja, antes que me mandasse contra alguma parede. o senhor veio cá fora perguntar o que eu queria. e eu mudei de perspetiva de uma forma muito repentina, de uma forma urgente, tinha de ser, senão ia fazer uma figura realmente triste. e disse: eu gostava de saber se deixei o meu pássaro por aqui. por acaso não viu o meu pássaro? lembro-me de ser uma coisa tão desconfortável, impossível de fazer, impossível de alguém acreditar no que eu dizia, eu quase tinha a certeza que o homem ia dizer: não sejas parva, não sejas ridícula. ninguém ia acreditar, muito menos achar piada. mas tentei. e sentia-me tão insegura por ser uma coisa que não estava nada habituada a fazer, mas que tinha de ser feita. afinal estava ali à procura do meu pássaro e não porque tinha de parar o carro para evitar que me matasse enquanto o conduzia. e o senhor só disse: não, não vimos pássaro nenhum… ui que alívio! afinal ele acreditava. afinal podia continuar. e depois continuei a disfarçar e, já agora que estava ali, gostava de ver alguma coisa. quando entrei na loja fingi estar à procura de canetas. então pus-me a olhar para elas, mas nenhuma despertava realmente o meu interesse. aquela pequena brincadeira tinha sabido bem, então decidi continuar. eu continuava a brincar, a falar de uma forma como se aquela caneta que andava à procura fosse realmente muito importante para mim. e continuava a vestir a minha personagem. então estava prestes a levar uma caneta muito simples que não gostava particularmente, até que insisti na procura e na brincadeira. ia-me tornando cada vez mais leve e aquilo ia sabendo cada vez melhor. por fim encontrei um conjunto de canetas realmente espetaculares, que me atraíram muito a atenção. eram pequeninas e fininhas e cheias de brilhantes por fora e de umas cores bem diferentes. havia pacotes de vários tons. acabei por escolher um de tons arroxeados e azuis. decidi experimentar para ver se escreviam bem. mas não, não escreviam muito bem e às tantas já tinha experimentado tantas canetas que já estava uma confusão enorme naquele balcão e tinha baralhado tudo ao ponto de já não saber onde estavam as canetas deste último pacote que tinha escolhido. mas eu não estava muito preocupada com aquela confusão toda. continuava a fingir. então tive que ir escolher outro pacote e decidi que seria a minha última escolha porque já estava ali há muito tempo. mas não encontrava nenhum em tons arroxeados e azulados. até que de repente apareceu à minha frente um pacote de canetas cheias de brilhantes por fora, iguais às primeiras, mas agora eram de tons verde vivo e amarelo canário também muito intenso. decidi: é este. houve um sentimento de ligação muito grande. não podia haver mais canetas que me cativassem tanto. depois pensei um pouco: espera lá, eu não costumo gostar muito destas cores, normalmente sou mais de azuis, roxos e pretos, mas a minha cabeça não podia decidir. aquelas eram as cores certas, aquelas eram as cores que eu queria realmente e pelas quais me sentia atraída de uma forma tão verdadeira e óbvia. levei-as comigo.
a leveza, a descontração, a falta de seriedade, a brincadeira, o sentido de humor levaram-me até elas. e começou tudo com um erro de falta de controle que me atirou para fora de mim, que me obrigou a fazer isso. o carro estava tão louco, tão descontrolado que me obrigou a continuar a seguir esse caminho e a descobrir o que não sabia ser possível: gostar de um verde lima intenso.