Charles Bukowski

Encontra aquilo que amas e deixa que te mate.

Bukowski

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Tardes de fim de semana

Acho que começo a estar… demasiado ‘fora’…

Acho que começo a ser… demasiado ‘fora’…

Os meus encaixes são cada vez menos estreitos.

A minha paciência cada vez menor. Pelo que é encaixado à força. Pelo que é tido como bom, de qualidade, útil, para o bem de todos e onde vale a pena investir tempo.

Porque muita pouca coisa o é. Se é que alguma coisa ‘feita’ e ‘preparada’ pode ser de utilidade para alguém.

Mas eu compreendo. Porque as pessoas precisam ocupar as suas vidas. Tanto oferecendo algo como adquirindo. Mas os objetivos destas dinâmicas são ainda muito rudimentares. As pessoas precisam de ter objetivos certos como razão para fazer algo. Mas os objetivos enfraquecem e perdem valor só de os chamarmos assim, só de os mencionarmos.

Mas não há nada!! que não seja feito na nossa maneira de viver sem objetivos muito bem definidos.

As grandes transformações não acontecem daqui. Acontecem duma maior liberdade mas ao mesmo tempo duma maior clareza, uma maior confiança num processo que pode ser gerado praticamente sozinho. É preciso haver sabedoria e experiência e coração limpo para que isso aconteça.

Este seria o compromisso mais sincero que poderia fazer. Que os momentos que eu ocupe, assista e crie sejam de tal forma limpos e verdadeiros que não precisem de um objetivo pensado.

Impaciência

Tenho uma impaciência muito grande.

Hoje vi um rapaz muito impaciente a andar. Ele estava impaciente porque estava a andar. Só isso. Mas chega, porque a andar não se faz nada. Só se chega a um certo lugar. Que perda de tempo. Estava impaciente e olhava para todo o lado. ‘Será que há alguma coisa que eu possa fazer enquanto ando? Alguém a quem eu me possa dirigir e fazer uma troca de alguma coisa? Alguém com o mesmo sentimento que eu?’

Ele podia ter olhado para cima que eu estava lá na janela. E podia sorrir pelo menos. E compreendia o que ele estava a sentir. Mas não reparou em mim e continuava a andar de forma não coordenada, não mecânica porque queria à força que o próprio andar fosse uma novidade. E continuava a olhar curioso para todo o lado. Impaciente e desconfortável. Quase sufocado com o aborrecimento.

 

Estou impaciente porque estou à espera que me fales.

Opções

O mundo apresenta-nos alternativas. O mundo só nos apresenta as alternativas que pode e estas são limitadas.

Nós escolhemos algumas destas alternativas.

Mas é possível escolher algo que ainda não nos foi apresentado, que ainda não foi criado 🙂

Uma relação

Eu sei que te sentes desconfortável com a minha presença. Sabes porquê? Porque eu atiro continuamente a atenção para ti. Julgas que te estás a dirigir a mim, mas afinal sentes-te mais a ti do que a mim. Julgas que estás a falar comigo e que descobres coisas sobre mim mas afinal estás a descobrir-te a ti. Julgas que me estás a julgar mas esse julgamento pesa-te forte porque volta para ti e tu apercebes-te disso e até te chegas a sentir mal mas não sabes bem porquê. Julgas que me estás a dar alguma coisa ou a amar-me e esperas algo em retorno mas eu não te dou nada em retorno porque eu faço-te sentir o que é realmente dar. Já deste de verdade a alguém? A mim, sempre que me dão, dão-me e pronto. Eu deixo que isso aconteça. Eu não tenho necessidade, não tenho urgência em fazer sentir-te bem por isso. Talvez um dia aprendas a sentir-te bem sem ser por alguma coisa. À espera que algo surja. Talvez um dia pares de esperar e te sintas feliz.

Comigo é assim. Comigo tu não podes esperar. Comigo é o que é e tu sentes-te a ti totalmente. Comigo não há truques nem resultados pelos méritos. Não há por onde ir. É isto e acabou.

Não te vou dar o que esperas. Vou-te dar talvez outra coisa e a isso não se chama dar.