Uma relação

Eu sei que te sentes desconfortável com a minha presença. Sabes porquê? Porque eu atiro continuamente a atenção para ti. Julgas que te estás a dirigir a mim, mas afinal sentes-te mais a ti do que a mim. Julgas que estás a falar comigo e que descobres coisas sobre mim mas afinal estás a descobrir-te a ti. Julgas que me estás a julgar mas esse julgamento pesa-te forte porque volta para ti e tu apercebes-te disso e até te chegas a sentir mal mas não sabes bem porquê. Julgas que me estás a dar alguma coisa ou a amar-me e esperas algo em retorno mas eu não te dou nada em retorno porque eu faço-te sentir o que é realmente dar. Já deste de verdade a alguém? A mim, sempre que me dão, dão-me e pronto. Eu deixo que isso aconteça. Eu não tenho necessidade, não tenho urgência em fazer sentir-te bem por isso. Talvez um dia aprendas a sentir-te bem sem ser por alguma coisa. À espera que algo surja. Talvez um dia pares de esperar e te sintas feliz.

Comigo é assim. Comigo tu não podes esperar. Comigo é o que é e tu sentes-te a ti totalmente. Comigo não há truques nem resultados pelos méritos. Não há por onde ir. É isto e acabou.

Não te vou dar o que esperas. Vou-te dar talvez outra coisa e a isso não se chama dar.

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