Tardes de fim de semana

Acho que começo a estar… demasiado ‘fora’…

Acho que começo a ser… demasiado ‘fora’…

Os meus encaixes são cada vez menos estreitos.

A minha paciência cada vez menor. Pelo que é encaixado à força. Pelo que é tido como bom, de qualidade, útil, para o bem de todos e onde vale a pena investir tempo.

Porque muita pouca coisa o é. Se é que alguma coisa ‘feita’ e ‘preparada’ pode ser de utilidade para alguém.

Mas eu compreendo. Porque as pessoas precisam ocupar as suas vidas. Tanto oferecendo algo como adquirindo. Mas os objetivos destas dinâmicas são ainda muito rudimentares. As pessoas precisam de ter objetivos certos como razão para fazer algo. Mas os objetivos enfraquecem e perdem valor só de os chamarmos assim, só de os mencionarmos.

Mas não há nada!! que não seja feito na nossa maneira de viver sem objetivos muito bem definidos.

As grandes transformações não acontecem daqui. Acontecem duma maior liberdade mas ao mesmo tempo duma maior clareza, uma maior confiança num processo que pode ser gerado praticamente sozinho. É preciso haver sabedoria e experiência e coração limpo para que isso aconteça.

Este seria o compromisso mais sincero que poderia fazer. Que os momentos que eu ocupe, assista e crie sejam de tal forma limpos e verdadeiros que não precisem de um objetivo pensado.

O que é sempre

Sim, vejo muitas vezes à minha frente um mar. Um mar único. Sem expectativas e simpático por isso. Um mar que não me sustém mas um mar cujas ondas se fundem comigo por isso não há forma de me afogar. Eu sou o mar. É aí que muita coisa acontece. Não é que possa acontecer. Não é assim que funciona. Acontece. Não há potencial. As coisas são e pronto. Isto tudo dá-me esperança, mas, novamente, esta esperança, está na minha memória. Só quando esta esperança deixar de ser uma memória e deixar de se chamar ‘esperança’ para passar a chamar-se ‘isto’… ou nem isso sequer… é que as coisas são.

Eu quero que as coisas sejam. As coisas são. Tudo é, sempre.