Tardes de fim de semana

Acho que começo a estar… demasiado ‘fora’…

Acho que começo a ser… demasiado ‘fora’…

Os meus encaixes são cada vez menos estreitos.

A minha paciência cada vez menor. Pelo que é encaixado à força. Pelo que é tido como bom, de qualidade, útil, para o bem de todos e onde vale a pena investir tempo.

Porque muita pouca coisa o é. Se é que alguma coisa ‘feita’ e ‘preparada’ pode ser de utilidade para alguém.

Mas eu compreendo. Porque as pessoas precisam ocupar as suas vidas. Tanto oferecendo algo como adquirindo. Mas os objetivos destas dinâmicas são ainda muito rudimentares. As pessoas precisam de ter objetivos certos como razão para fazer algo. Mas os objetivos enfraquecem e perdem valor só de os chamarmos assim, só de os mencionarmos.

Mas não há nada!! que não seja feito na nossa maneira de viver sem objetivos muito bem definidos.

As grandes transformações não acontecem daqui. Acontecem duma maior liberdade mas ao mesmo tempo duma maior clareza, uma maior confiança num processo que pode ser gerado praticamente sozinho. É preciso haver sabedoria e experiência e coração limpo para que isso aconteça.

Este seria o compromisso mais sincero que poderia fazer. Que os momentos que eu ocupe, assista e crie sejam de tal forma limpos e verdadeiros que não precisem de um objetivo pensado.

Uma relação

Eu sei que te sentes desconfortável com a minha presença. Sabes porquê? Porque eu atiro continuamente a atenção para ti. Julgas que te estás a dirigir a mim, mas afinal sentes-te mais a ti do que a mim. Julgas que estás a falar comigo e que descobres coisas sobre mim mas afinal estás a descobrir-te a ti. Julgas que me estás a julgar mas esse julgamento pesa-te forte porque volta para ti e tu apercebes-te disso e até te chegas a sentir mal mas não sabes bem porquê. Julgas que me estás a dar alguma coisa ou a amar-me e esperas algo em retorno mas eu não te dou nada em retorno porque eu faço-te sentir o que é realmente dar. Já deste de verdade a alguém? A mim, sempre que me dão, dão-me e pronto. Eu deixo que isso aconteça. Eu não tenho necessidade, não tenho urgência em fazer sentir-te bem por isso. Talvez um dia aprendas a sentir-te bem sem ser por alguma coisa. À espera que algo surja. Talvez um dia pares de esperar e te sintas feliz.

Comigo é assim. Comigo tu não podes esperar. Comigo é o que é e tu sentes-te a ti totalmente. Comigo não há truques nem resultados pelos méritos. Não há por onde ir. É isto e acabou.

Não te vou dar o que esperas. Vou-te dar talvez outra coisa e a isso não se chama dar.

O que é sempre

Sim, vejo muitas vezes à minha frente um mar. Um mar único. Sem expectativas e simpático por isso. Um mar que não me sustém mas um mar cujas ondas se fundem comigo por isso não há forma de me afogar. Eu sou o mar. É aí que muita coisa acontece. Não é que possa acontecer. Não é assim que funciona. Acontece. Não há potencial. As coisas são e pronto. Isto tudo dá-me esperança, mas, novamente, esta esperança, está na minha memória. Só quando esta esperança deixar de ser uma memória e deixar de se chamar ‘esperança’ para passar a chamar-se ‘isto’… ou nem isso sequer… é que as coisas são.

Eu quero que as coisas sejam. As coisas são. Tudo é, sempre.