Ar e Espaço

Há algum tempo descobri este vídeo sobre umas certas características de umas certas pessoas. Essas pessoas são iguais a mim no que diz respeito a essas certas características e por isso fiquei muito satisfeita por encontrar este vídeo. Nele é apresentada uma solução. Há certos problemas que nos acompanham sempre e por isso temos tendência a ignorá-los. Estão tão presentes que parecem fazer parte de nós. E parece que sempre foi assim e sempre será. Não há nada a fazer. Mas há. Não sei porquê, às vezes olho para a periferia em vez de atentar ao que está mesmo à minha frente. Parece que tem mais piada descobrir o que é menos óbvio. A satisfação é maior. Mas aqui não estamos para satisfazer nenhuma mente desesperada por resolver um quebra-cabeças e deleitar-se com o prazer momentâneo que vem daí. Estamos sim, interessados em resolver casos reais. Muito fáceis e óbvios de identificar e que, se resolvidos, tudo será mais fácil. Não há nenhum segredo. Poderia achar-se que cometi aqui o mesmo erro de sempre ao utilizar termos um pouco estranhos (esperem pelo que vem aí) e por isso talvez não tivesse ido pelo caminho e soluções mais simples. Mas não, afinal falo apenas de um tipo de pessoas já bem identificadas há muito: os chamados ‘Aéreos’.

A medicina ayurvédica, com origem na índia há muito muito tempo considera 3 tipos principais de pessoas. São eles pitta, vatta e kapha. Sabemos que, de uma forma simbólica, ou não, tudo na natureza é constituído pelos 5 elementos. De uma forma simbólica e abstrata, as coisas que não são palpáveis, mesmo assim, têm as impressões destes 5 elementos.

Então, segundo esta classificação ayurvédica, seres predominantemente fogo e água serão pitta, predominantemente ar e espaço serão vatta e predominantemente água e terra serão kapha. E isto tanto diz respeito ao corpo como à mente.

Eu vou apenas falar de vatta porque me identifico e porque é o que o vídeo fala e porque na verdade parece que é preciso ter um certo domínio sobre ele. Diria que os outros dois tipos de pessoas têm que agradecer por não ter um excesso de ar e espaço na sua constituição. Todos terão os seus desafios, mas os vatta… bem será que é por me identificar como tal que o considero o pior?

Todos temos um pouco de vasta em nós e momentos em que os seus elementos se intensificam e agravam. Então a informação será útil a muitos, talvez.

Seres vatta são instáveis, sensíveis ao ambiente, voláteis, mudam de ideias rapidamente, esgotam-se facilmente, aparentam ter muitas dúvidas e ser pouco acertivos, sofrem de ansiedade e medo, parece que precisam de se cuidar e lembrar constantemente das suas necessidades. Precisam, por isso, de ser bem nutridos a todos os níveis.

Um vatta pode achar que está a entrar numa depressão profunda e que a vida nunca vai correr bem só porque não descansou o suficiente ou porque tem fome. E o mais ridículo é que ele dificilmente se apercebe que é este o problema porque muitas vezes está tão envolvido na sua mente e mundo interior que se esquece que tem fome ou sono. Simplesmente não se apercebe. Uma depressão momentânea, medo e ansiedades incontroláveis de um vatta resolvem-se com roupas quentes, uma refeição quente e nutritiva, um bom sono, uma massagem com um óleo pesado como o óleo de sésamo, um abraço carinhoso e, muito importante, relaxamentos pequenos ao longo do dia para voltar ao momento presente e conseguir perceber, outra e outra vez, a alegria da vida e que afinal tudo está bem. É muito importante este regresso ao centro. Para isso serve a meditação e as famosas respirações profundas e não superficiais. Muito importante ter rotinas básicas como deitar e acordar cedo e ainda comer a horas certas. A mente de um vatta é muito exigente e tal insatisfação pode ser solucionada com uma boa dose de novidade, desafio, imaginação e divertimento, muitas vezes inesperado e um tanto louco. Os vatta precisam de muito brilho e cor. O movimento é também algo que alimenta mentes e corpos inquietos comos os deles. Dançar ao som da música certa é um verdadeiro delírio. Cantar também.

É bom que aceitem que vão ser sempre um pouco inconstantes e que isso até pode ser interessante e divertido. Um vatta nunca pode exigir demais dele. Há limites e estes têm de ser considerados de uma forma leve e despreocupada mas se às vezes surgir um drama que parece demasiado grande para suportar, não faz mal chorar baba e ranho. Não faz mal e até faz muito bem. Os vatta têm de deixar surgir as emoções através deles. É como se fossem flexíveis e se moldassem às ondas do mar que os rodeia. A emoção tem de ser vivida. Mas não se preocupem, porque à medida que crescemos e nos compreendemos mais e mais vamos conseguindo distinguir os vários tipos de emoções e qual a sua origem. Isto não vai evitar momentos de euforia e depressão mas pelo menos, lá bem no fundo, sabemos que vai passar e até somos bem capazes de continuar a gostar de ser quem somos mesmo nesses momentos. É bem provável que o carinho que temos por nós cresça mais e mais apesar de tudo. É bem provável que, mesmo nesses momentos, tenhamos a sensação que tudo está bem e que é mesmo assim que tem de ser.

Mas é importante, muito importante ter certos hábitos que deixem acalmar um pouco os ânimos para que a nossa alegria, entusiasmo e criatividade naturais surjam.

Então…

Não se esqueçam das vossas obsessões, não tenham vergonha de falar com movimento nem de surpreender com uma roupa extravagante. Sejam diferentes. Criem coisas novas.

Não se esqueçam de alimentar a mente com algo vivo, desafiante, apaixonante e inspirador.

Não se esqueçam desse sentimento de felicidade que vem do centro do peito. E não se esqueçam de passar algum tempo a sós para o lembrar.

Não se esqueçam de ser corajosos. Todos temos um papel.

 

Tudo isto soa a indicações e passos e regras a seguir. Mas não é assim. Tudo se torna natural a partir do momento em que estamos mais atentos. É algo muito orgânico e pouco a pouco será difícil esquecermo-nos de nós. Afinal só estamos a ser naturalmente o que temos de ser.

É algo que nos acompanhará para o resto da vida mas não nos vamos encostar a este conceito nem a nenhum outro. Fazemos o que tem de ser feito e viveremos o resto.

O mundo dos vatta é um mundo muito rico mas é preciso aprender a torná-lo real.

 

Aqui está o vídeo com tudo explicadinho. Não se concentrem nos pormenores.

 

 

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