Meditar

Meditar é estar atento.

É estar consciente. É ser capaz de estar aqui. É não fugir. Não entrar em obsessões. É não forçar demasiado um certo tipo de pensamento. É estar atento à nossa inteligência, é deixar que ela floresça. É não controlar, mas também não é deixar ir. É, em vez disso, concentrar na espontaneidade. Ou deixar surgir a concentração. Eu saberei perfeitamente o que se segue. A minha mente não, mas eu sim 🙂 Por isso não me preocupo e não penso demasiado. Deixo o meu ser revelar-se através de uma subtil concentração. Sigo a fina linha que se mostra. Ela não é dispersa. É bem clara. É bem marcada. Mas perde-se um pouco se a quiser encaixar ou se a organizar segundo antigas memórias, formas de pensar ou se a olhar demasiado de perto, se a analisar. Ela envergonha-se e foge.

Meditar é fazer a higiene da minha mente. Sabe sempre bem voltar à concentração natural. Eu saberei quando estiver demasiado longe da concentração natural. Apontar esse momento é essencial e é o começo de tudo. É importante saber dizer: ‘espera aí que me estou a afastar demais’. Isto já revela uma certa consciência da própria confusão mental.

Meditar não é forçar um estado. É só voltar ao que é natural.

E o natural é: não resistir demasiado. A resistência só acontece quando inventamos razões para resistir e pensamos muito nelas, quando planeamos demasiado, quando fechamos o coração, quando fugimos.

Resistir muitas vezes não significa dizer ‘Não’. Às vezes também temos demasiada pressa, dizemos ‘Sim’ a tudo e, apesar de estarmos tão ocupados, tão cheios de gente à volta, sentimos essa tal resistência: tensão, coração fechado, falta de leveza, falsidade não identificada, sensação de ser quebrado e pouco consistente, a esvair-se em demasiadas direções ou a ir numa só, teimosamente e cegamente, com demasiada força.

Meditar é voltar à organização natural, quebrando a resistência artificial.

Uma boa forma disto acontecer é repetir uma ou mais palavras várias vezes. Estar realmente atento ao som das palavras. Para ouvir com atenção (e só ouvir!) é necessário que o nosso diálogo interno, com a nossa vozinha, se cale. Só assim podemos realmente ouvir esse rio de palavras que se repete agora e agora e agora e agora. Estamos atentos. Ouvimos a apalavra agora. Estamos aqui e ouvimos a palavra agora.

Depois calamo-nos e, se ouvimos com atenção, é fácil ouvirmos as palavras que se disseram antes. Apesar de estarmos calados, elas surgem na mente. Não é a voz interna que fala. É o som que se ouviu anteriormente que se revela agora. Uma atenção subtil é criada.

A calma chega e uma ansiedade exagerada já não é sequer lembrada.

Se fizer isto uma vez, tenho ainda assim pouca consistência para lidar com o que está lá fora. Mas se fizer várias vezes, se lembrar constantemente a minha paz interna, ela vai-se tornar sólida. Entre muitas coisas, a minha voz também se torna sólida e consigo olhar as pessoas nos olhos. Não tenho medo. Sou espontâneo e criativo.

Isto é muito simples e natural, mas há pessoas que estão tão metidas nos seus mundos imaginados e pensamentos que na verdade têm de fazer um trabalho extra. Muitas vezes começa-se pelo corpo. Um corpo tenso não ajuda. Um corpo relaxado ajuda muito mais. E como é mais fácil trabalhar com o corpo e receber ajuda externa através de exercícios físicos, então muitas vezes o primeiro passo será ‘derreter’ a tensão corporal. Enfim… há muitas formas de ajudar mas o que se pretende sempre é uma mente clara e um sentido de integridade.

 

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